16 Set 2026 11:45 hs
Volkswagen amplia seu portfólio de ônibus elétricos:
Fabricante expande família e-Volksbus com versões de piso alto para operações urbanas e fretamento
Durante a LatBus 2026 a fabricante anunciou duas novas derivações da plataforma elétrica: o e-Volksbus 22H para operações urbanas de piso alto e o e-Volksbus 18H para operações de fretamento. Os novos modelos ampliam significativamente o leque de aplicações, compartilhando praticamente o mesmo conjunto motriz e tecnológico do já conhecido 22L. A chegada das versões High atende demandas específicas de operadores que não encontravam no piso baixo a configuração ideal para suas rotas.

Chassi VW e-Volksbus 22H.
(Divulgação).
* e-Volksbus 22H: a principal mudança visual do está justamente na arquitetura de piso alto, identificada pela letra H na nomenclatura. Entretanto as alterações vão muito além da estética. Enquanto o 22L foi concebido prioritariamente para corredores urbanos com embarque convencional e forte demanda por acessibilidade, o 22H mira sistemas de transporte que utilizam plataformas elevadas de embarque. Além disso atende cidades que tradicionalmente operam com ônibus de piso alto.
Nesse sentido, o modelo surge como alternativa para sistemas BRT e corredores estruturados como Brasília, DF, Curitiba, PR, Porto Alegre, RS, e Belo Horizonte, MG. O veículo mantém configuração 4×2 e pode receber carrocerias entre 12,5 e 13,5 metros de comprimento. Dependendo da configuração exigida pelo órgão gestor local, a capacidade pode alcançar até 82 passageiros. Além disso, o novo entre-eixos de 6,1 metros já sai pronto de fábrica para acomodar diferentes comprimentos de carroceria. Assim, simplifica o processo de encarroçamento e amplia a flexibilidade para operadores e fabricantes de carrocerias.

Do ponto de vista técnico a Volkswagen optou por preservar a arquitetura já validada no mercado: o motor elétrico central entrega 280 kW, equivalentes a aproximadamente 380 cv; a transmissão da força ocorre por meio de um conjunto composto por cardan e eixo diferencial convencional – conceito bastante semelhante ao utilizado em ônibus e caminhões a diesel – capaz de aproveitar componentes já amplamente utilizados na rede de assistência. O conjunto desenvolve torque de até 250 mkgf nas rodas. Contudo, a eletrônica controla a entrega de força para garantir conforto aos passageiros, evitar trancos e preservar a durabilidade dos componentes. O eixo traseiro também reforça a robustez do projeto. Trata-se de um conjunto derivado de aplicações extrapesadas em caminhões. Como resultado, é preparado para suportar elevados níveis de torque.
Chassi VW e-Volksbus 22L.
(Divulgação).
Os novos modelos utilizam baterias LFP, lítio-ferro-fosfato, fornecidas pela CATL. Segundo a engenharia da Volksbus, essa tecnologia é reconhecida pela durabilidade e segurança operacional. Na configuração de 12 packs, o sistema armazena até 380 kWh de energia. Segundo a VW a autonomia de referência permanece em aproximadamente 250 quilômetros. Entretanto, fatores como topografia, carga transportada, uso do ar-condicionado e perfil da rota influenciam diretamente o resultado. Para operações com menor exigência de autonomia, existe também uma configuração com oito packs, opção que reduz o investimento inicial do operador. E a autonomia cai para em média 200 km.
Outro diferencial está na padronização de componentes com as famílias e-Delivery, Volksbus diesel e demais produtos da marca. Consequentemente, a rede de concessionárias já preparada para veículos elétricos consegue oferecer suporte técnico com maior rapidez e menor complexidade.
* e-Volksbus 18H: o modelo inaugura uma frente considerada estratégica pela Volkswagen, desenvolvido especificamente para operações de fretamento, segmento que vem ganhando importância nas estratégias ESG de grandes empresas.
Na prática, o veículo compartilha motor, baterias, suspensão pneumática, sistemas eletrônicos e arquitetura elétrica com o 22H. A principal diferença aparece na calibração do eixo traseiro. Enquanto o urbano utiliza relação de diferencial de 5,63:1 para privilegiar arrancadas frequentes e circulação em baixas velocidades, o fretamento adota relação de 4,63:1. Essa alteração permite velocidades operacionais mais elevadas e melhor adequação a trajetos rodoviários. O limitador eletrônico chega a 90 km/h, contra faixas entre 50 e 70 km/h normalmente adotadas no transporte urbano.
Outra diferença importante está na capacidade de carga. O e-Volksbus 18H tem PBT de 18 toneladas, enquanto o urbano opera com 22 toneladas. A redução decorre principalmente da adoção de pneus específicos para operações rodoviárias e de fretamento. Embora mantenham a medida 295/80 R22.5, os pneus utilizam compostos e estruturas diferentes dos empregados no transporte urbano. Dessa forma, permite melhor desempenho em velocidades mais elevadas. Com isso, o modelo pode receber carrocerias entre 12,5 e 13,5 metros e transportar até 44 passageiros sentados.
A potência de 380 cv oferece ampla margem operacional para esse tipo de aplicação, já que o veículo de fretamento transporta praticamente metade da carga de passageiros do urbano. Por isso, o conjunto motriz trabalha com bastante folga e garante maior desempenho.
Desta maneira a Volkswagen enxerga forte potencial para o 18H em operações corporativas, industriais e de mineração. O movimento acompanha a crescente pressão por redução das emissões de carbono em cadeias produtivas e programas de sustentabilidade empresarial. Empresas que já adotam metas ambientais rigorosas começam a avaliar a eletrificação do transporte de funcionários como uma das formas mais rápidas de reduzir emissões indiretas. Nesse cenário, o novo e-Volksbus 18H surge como alternativa para rotas previsíveis, característica comum em operações de fretamento. Além disso, a fabricante acredita que a robustez da suspensão pneumática eletrônica e dos sistemas embarcados atenda plenamente trajetos que incluam acessos a plantas industriais, minas e áreas operacionais. Ou seja, o uso misto.
